Amazon prepara demissão em massa e robôs vão comandar a empresa
Nas últimas duas décadas, poucas empresas transformaram tanto o ambiente de trabalho nos Estados Unidos quanto a Amazon.
A gigante do comércio eletrônico, que hoje é o segundo maior empregador do país, foi responsável por redefinir o modelo de operação de armazéns, entregas e gestão de funcionários, combinando mão de obra em larga escala com tecnologia de ponta. Agora, documentos e entrevistas revelam que a empresa está prestes a dar o passo mais radical de sua história: substituir mais de meio milhão de empregos humanos por robôs.
A revolução robótica da Amazon
De acordo com informações obtidas pelo The New York Times, a equipe de automação da Amazon prevê que a empresa deixará de contratar 160 mil trabalhadores nos Estados Unidos até 2027, o que representaria uma economia de cerca de US$ 0,30 por item coletado, embalado e entregue. A meta é ainda mais ambiciosa: automatizar 75% de todas as operações logísticas da companhia nos próximos anos.A força de trabalho da Amazon, que triplicou desde 2018 e já ultrapassa 1,2 milhão de pessoas, poderá ser drasticamente reduzida conforme a empresa consolida seus armazéns altamente automatizados. Nessas instalações, o papel humano será cada vez menor, com robôs assumindo as funções de separação, embalagem e transporte de produtos.
Estratégia silenciosa
Os documentos obtidos pelo jornal norte-americano também mostram que a empresa tem evitado usar termos como “automação” e “inteligência artificial” em suas comunicações internas. Em vez disso, prefere expressões como “tecnologia avançada” ou “cobôs”, uma junção de “colaborativo” e “robô”, numa tentativa de suavizar a percepção pública sobre a substituição de trabalhadores.
Para o economista Daron Acemoglu, do MIT e vencedor do Prêmio Nobel de Economia, o impacto dessa transição pode ser profundo. “Ninguém mais tem o mesmo incentivo que a Amazon para encontrar uma forma de automatizar. Se esses planos se concretizarem, um dos maiores empregadores dos Estados Unidos pode se tornar um destruidor líquido de empregos”, afirmou.
O outro lado da Amazon
A empresa, por sua vez, nega que os documentos revelem sua estratégia oficial de contratação. Kelly Nantel, porta-voz da companhia, afirmou que o material “não representa o plano completo da Amazon” e destacou que a empresa pretende contratar 250 mil trabalhadores temporários para a temporada de festas de fim de ano.
Já Udit Madan, chefe de operações globais da Amazon, ressaltou que o avanço tecnológico não deve ser visto apenas como corte de custos. “O fato de você ter eficiência em uma parte do negócio não conta toda a história do impacto total que isso pode ter, seja em uma comunidade específica ou no país como um todo”, disse.
Com o avanço da robótica e da inteligência artificial nos centros de distribuição, a Amazon pode estar inaugurando uma nova era no mercado de trabalho global, uma era em que os robôs serão não apenas ferramentas, mas também colegas e, em muitos casos, substitutos de milhões de trabalhadores.
