Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela após captura de Nicolás Maduro
Vice-presidente tomou posse com discurso de pesar e apelo por diálogo aos Estados Unidos; Forças Armadas reconheceram novo governo
Delcy Rodríguez foi empossada nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro, retirado do país pelos Estados Unidos em uma operação militar. Vice-presidente até então, Rodríguez era a primeira na linha de sucessão e assumiu o cargo por determinação da Suprema Corte, controlada pelo chavismo.
O tribunal ordenou que ela permaneça no poder por 90 dias, prazo que poderá ser prorrogado.
Durante o juramento, realizado ao lado de seu irmão Jorge Rodríguez, recém-reeleito presidente da Assembleia Nacional, e acompanhado por um dos filhos de Maduro, Delcy declarou assumir o cargo “com pesar”.
“Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos”, afirmou. “Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos.”
Perfil e contexto político
Advogada trabalhista de 56 anos, Delcy Rodríguez é conhecida por sua fidelidade ao chavismo e por manter fortes vínculos com o setor privado. Ela sucede Maduro em meio a uma crise política sem precedentes.
O pai de Delcy e Jorge Rodríguez foi um líder revolucionário torturado e morto pelo governo venezuelano nos anos 1970, período em que o regime era apoiado pelos Estados Unidos.
Posse do Parlamento e boicote da oposição
Também tomaram posse nesta segunda-feira 283 parlamentares eleitos em maio do ano passado. Apenas um pequeno número é classificado como oposição. A maior parte dos opositores, incluindo o grupo liderado pelo ganhador do Prêmio Nobel Machado, boicotou o pleito.
A única parlamentar ausente foi a primeira-dama Cilia Flores, que está sob custódia das autoridades norte-americanas.
Reconhecimento das Forças Armadas
No domingo (4), as Forças Armadas da Venezuela já haviam reconhecido Delcy Rodríguez como presidente interina, um passo considerado decisivo para a consolidação do novo governo.
No mesmo dia, ela divulgou uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo diálogo, o fim das hostilidades e a construção de uma “agenda de colaboração”, menos de 24 horas após a captura de Maduro.
No documento, Delcy afirma que a Venezuela “aspira viver sem ameaças externas” e faz um apelo direto à Casa Branca para evitar um conflito armado.
“Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, escreveu.
A dirigente chavista propõe o estabelecimento de uma agenda de cooperação com Washington, baseada no princípio da não ingerência, citando o líder deposto:
“Esse sempre foi o predicamento do presidente Nicolás Maduro e é o de toda a Venezuela neste momento.”
